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Mais de 380 mil capixabas faziam apostas online, aponta Fecomércio

Por Redação | 01/10/2026 14:17

Mais de 380 mil capixabas faziam apostas online, aponta Fecomércio

Uma pesquisa sobre apostas online realizada pela Federação do Comércio do Espírito Santo (Fecomércio-ES) dá indicativos sobre quanto a atividade movimenta por mês no Estado — com cifras milionárias e impacto direto no orçamento das famílias.

 

Apenas no mês de junho deste ano, foram R$ 397,7 milhões em apostas inseridos em plataformas digitais, aponta o levantamento do Connect Fecomércio-ES. Mais de 380 mil fizeram apostas no Estado, apontam dados de 2024.

 

Ao todo, foram feitas 7,34 milhões de apostas. O gasto médio por aposta foi de R$ 212,31, mas o valor pode ser ainda maior para parcela dos apostadores. A estimativa é de que 70 mil tenham apostado mais de R$ 500 em um mês.

 

Ibatiba foi o município com o maior gasto médio estimado com bets, com R$ 279,00 por aposta.

 

O coordenador do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, afirma que os dados acendem um sinal de alerta. “Estamos perante algo que vai além de um jogo ou entretenimento, extrapolando para a saúde pública, com atendimentos no SUS”, comenta.

 

Na última sexta-feira, o governo federal assinou uma medida provisória que proíbe as “bets” e os jogos online — o “tigrinho” — no Brasil. Com a medida, as 188 plataformas até então autorizadas pelo Ministério da Fazenda não poderão oferecer apostas nem fazer qualquer tipo de publicidade no País.

 

A preocupação, no entanto, permanece. A dificuldade em conseguir impedir o acesso a sites ilegais, estimados hoje em cerca de 17 mil, deve ser um complicados no combate às apostas online.

 

“O vício em jogo é comparável à dependência química. A discussão passa pelo desenvolvimento de políticas públicas eficientes e adequadas para tratar o jogo como um problema de saúde pública, focado na prevenção e no tratamento da dependência”, afirma.

 

A situação se torna ainda mais alarmante quando visualizado o perfil dos apostadores. Segundo o levantamento do Connect Fecomércio-ES, aproximadamente 75% dos apostadores capixabas ganham até dois salários-mínimos.

 

Os eventos esportivos são a provável causa de um pico das apostas entre em outubro de 2025, comenta Spalenza. “Como a reta final do Brasileirão, Sul-Americana e Libertadores. Esses eventos funcionam como porta de entrada para o mercado de apostas”, disse.