Saúde

Uso de remédios contra ansiedade aumenta e especialistas fazem alerta

Por Redação | 21/09/2026 14:59

Uso de remédios contra ansiedade aumenta e especialistas fazem alerta

horo compulsivo, boca trêmula, membros travados e a retirada dos próprios fios de cabelo que lhe causaram coágulos de sangue na cabeça foram os sinais de ansiedade apresentados por uma estudante de 14 anos após intenso estresse por performance escolar e por sofrer bullying. Sua mãe, uma empreendedora de 45 anos, conta que ainda tem trauma de ver cabelos no chão.

 

A jovem precisou de medicação para ansiedade, após oito meses de psicoterapia. Mas ela não é a única. Médicos afirmam que o uso de remédios contra ansiedade tem aumentado entre jovens. A percepção é confirmada pelo crescimento da condição entre pessoas de 18 a 24 anos – nesse público, casos de ansiedade chegaram a 31,6%, segundo a pesquisa Covitel 2023, acima da média nacional.

 

Levantamento realizado pelo Ministério da Saúde mostra que, em 10 anos, os atendimentos relacionados a transtornos de ansiedade no SUS aumentaram 4.423% entre adolescentes de 15 a 19 anos.

 

Para a psiquiatra Francislainy Dal’Col, esse aumento pode ter relação com dois fatores: aumento real dos transtornos de ansiedade e mais acesso à informação.

 

“O Brasil lidera o ranking mundial do país mais ansioso e muitas pessoas demoram a buscar tratamento, fazendo com que os casos cheguem ao psiquiatra já mais intensos”.

 

“Por outro lado, hoje as pessoas têm contato com conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais e em outros veículos, e isso aumenta a conscientização e faz com que mais pessoas reconheçam seus sintomas e procurem ajuda”, analisa a médica.

 

Segundo a psiquiatra Janine Moscon, também é perceptível o aumento de casos entre crianças e adolescentes. De acordo com a médica, o uso de medicação está indicado para casos em que os sintomas prejudicam o funcionamento da vida, seja nas relações interpessoais, desempenho nos estudos ou no trabalho, como sintomas físicos que paralisam o paciente.

 

Para o psiquiatra José Luís Leal de Oliveira, vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (Apes), o aumento do uso de medicamento não é um problema, mas como acontece.

 

“Preocupa quando a gente observa uso de medicação sem avaliação psiquiátrica, uso prolongado de medicamentos que não deveriam ser usados por muito tempo e a medicalização de reações emocionais normais”, destaca.